quarta-feira, 13 de setembro de 2017

              ALLENDE EM SEU LABIRINTO



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Assisti e gostei do filme de Miguel Littin, ALLENDE EM SEU LABIRINTO[1]. É só buscar na Netflix, basta colocar Allende no local de busca.

O filme narra o último dia da vida de Salvador Allende no dia 11 de setembro de 1973, de quando ele acordou até quando morreu. Miguel Littin não tomou posição sobre as teses vigentes sobre sua morte, se Allende foi assassinado ou se suicidou.

O final é épico, a resistência no Palácio de La Moneda, fuzis contra o bombardeio da aviação e logo depois contra as tropas de assalto dos golpistas. Allende combateu até tombar, sem rendição. A traição de Augusto Pinochet, homicida e ladrão com muitos kilogramas de ouro em banco suíço, está estampada.

Lembro-me do dia 11 de setembro de 1973 por uma cena que vi no JN, a morte de um cinegrafista americano filmando um caminhão de transporte de tropas do Exército chileno, um soldado atirando no cinegrafista até quando ele morreu e a câmara perdeu o foco.

Eu não sabia o que estava acontecendo mas me parecia que algo muito triste estava ocorrendo e as cenas do assassinato ressaltavam a coragem do cinegrafista.

11 de setembro de 1973 foi um dia de baixezas e traições mas também um dia de coragem e grandeza na vida do povo chileno pois seu líder não decepcionou, não renunciou nem se rendeu quando as armas falaram. É evidente que os espertos não gostam nem de ouvir falar neste assunto, para eles tudo vale para salvar o pescoço, até rastejar como um verme.


Nota

[1] A última manhã de Salvador Allende
O diretor chileno Miguel Littín finaliza um filme sobre o ex-presidente, no momento em que se completam 41 anos desde sua morte durante o golpe de Estado
https://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/11/cultura/1410392420_326240.html

sábado, 9 de setembro de 2017

                O ADVERSÁRIO É CAPAZ DE TUDO



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Olho procurando compreender em toda a dimensão humana a delação de Antonio Palocci e o depoimento dele ante Sérgio Moro imputando fatos delituosos ao ex-Presidente Lula.

O que está no centro desta discussão sobre Palocci é o quanto o ser humano pode resistir a coações sob qualquer de suas formas, intimidações, ameaças e torturas.

Li sobre torturas e conversei com pessoas que foram torturadas e  uma certeza restou inquestionável: nenhum ser humano sabe exatamente o quanto pode resistir à pior das coações - a  tortura -, não sabe a força que tem diante da dor, da coação física ou moral.

Percebi pelo que me foi dito e lido que a resistência pode variar até mesmo em face do momento psicológico de entusiasmo ou decepção em que a pessoa se encontra, a idade e as experiências anteriores com o tipo de situação.

Victor Serge em seu pequeno grande livro, O QUE TODO REVOLUCIONÁRIO DEVE SABER SOBRE A REPRESSÃO, não nos deixa que esqueçamos que a repressão é uma das funções essenciais de todo poder político.

Por isto, o uso do medo, da intimidação, da tortura e do terror é sempre uma alternativa para uso de policiais, promotores e juízes.

As lições de Victor Serge são preciosas até para quem não pretende fazer revolução tais como os advogados que atuam na área penal e por isto sempre correm o risco de serem presos ao terem suas prerrogativas violadas, sem contar as incontáveis tentativas de intimidação de quem não é do esquema dos policiais corruptos. 

Uma coisa eu tenho como certa, Palocci estar sob coação. Assim, é preciso fazer um esforço mínimo para compreender o que ele está passando e que muitos de nós poderemos vivenciar em futuro próximo.   
  
Quantas pessoas que hoje julgam Palocci sabem o que é uma cadeia? Ou já tiveram uma arma de fogo apontada contra si?

Não é uma tarefa fácil se manter altivo e digno em situações de coação. Forças coativas podem vir de diversas fontes, por exemplo, quantas pessoas estão dispostas a morrerem na miséria a não se tornar mais um golpista na praça?

Victor Serge na pág. 84 no capítulo EM CASO DE PRISÃO do livro mencionado nos diz que "o adversário é capaz de tudo" e cita Egor Sazonov: "o inimigo é infinitamente vil".

José Dirceu se manifestou sobre este momento de fraqueza de Palocci. Eis aqui [1] algumas palavras de José Dirceu veiculadas na mídia e na web e com as quais eu concordo totalmente:

"O ex-ministro José Dirceu fez um contraponto entre a sua situação e a do também ex-ministro Antonio Palocci, aponta a colunista Mônica Bergamo.
Segundo ele, é melhor morrer do que perder a dignidade e se tornar delator; Dirceu também afirmou que Palocci sempre batalhou pelos próprios interesses – e não por uma causa coletiva.
"Só luta por uma causa quem tem valor. Os que brigam por interesse têm preço. Não que não me custe dor, sofrimento, medo e às vezes pânico. Mas prefiro morrer que rastejar e perder a dignidade", afirmou Dirceu, condenado na Operação Lava Jato, disse ainda que prefere "morrer" antes de delatar."

Muito oportunas estas palavras de Zé Dirceu neste momento mas bem que poderia ter sida ditas antes, lá atrás, quando o condenaram sem provas no "mensalão", a AP 470.

Naquele momento todos nós esperávamos dele uma autodefesa menos "elegante", mais contundente e incisiva como está fazendo agora. É bem verdade que muitos amigos e os próprios advogados devem ter aconselhado Dirceu a ser prudente para não piorar a situação diante dos carrascos-juízes, comedimento que hoje se vê de nada serviu.

Bem vindas as palavras de Zé Dirceu. Acredito que todos os que forem perseguidos de agora por diante devem fazer um enfrentamento mais incisivo, mostrarem que são perseguidos e não julgados e deixarem claro que não fazem acordos com inimigos neste tipo de situação onde se quer a desonra, transformar o perseguido em um trapo.

Vamos ver quem é que terá a coragem e a honradez de inaugurar esta nova fase no enfrentamento dos carrascos fantasiados de juízes.

    
Nota

terça-feira, 8 de agosto de 2017

            ALÉM DA MORTE


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Cada um escreve sua história com o caráter que tem, as oportunidades construídas e o que a sorte lhe atirar no colo. Mas nossos atos repercutem além da morte. Falamos de Marighella, Câmara Ferreira, Mário Alves, Eduardo Collen Leite, o Bacuri, e outros como se ainda estivessem vivos. 

Como uma pedra atirada em um lago nossos atos têm seus efeitos incontrolados pela repercussão. Até Max Weber, o cara que melhor tentou fazer uma sociologia com base na ação dos indivíduos para entender os fatos sociais escreveu algo assim.

Recentemente morreu por suicídio um neto de Getúlio Vargas, Getúlio Vargas Neto, filho de Maneco Vargas, que também se suicidou. A bronca é que este tipo de ato fica como exemplo em uma família.

Não vejo o suicídio em princípio como um ato covarde pois é preciso muita coragem para meter um tiro nos miolos. Pedro Nava disse em uma entrevista que suicídio por tiro é coisa de pessoa impulsiva; os histéricos se enforcam.

O fato é que a morte não encerra tudo e a vida é uma só; não se tem muita coisa a pensar sobre a morte, daí pensar sobre ela sempre nos leva a pensar sobre a vida. Então não meter a vida no vaso sanitário vivendo como um rato tem seu valor, para mim.

Tudo isto dito acima foi provocado pela morte do líder sindical paulista Augusto Campos [1], que não passou pela vida em vão e não meteu a vida na latrina.

Viver de maneira honrada no Brasil não é fácil, o povo brasileiro se transformou em uma escória miserável com a ajuda das religiões, dos intelectuais, dos professores e sob a batuta da classe dominante, que sabe que vagabundos não fazem revoluções.

Nota

[1] Gratidão, Augusto Campos
A morte do Augustão é mais uma cruz na lista deste infernal ano de tantas perdas para os trabalhadores


domingo, 2 de julho de 2017

É A POLÍTICA QUE GOVERNA O MUNDO


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Nunca tivemos uma oportunidade tão à vista de derrubar um governo ilegítimo e avançarmos fazendo reformas no Estado e na sociedade como agora, o governo é ilegítimo e foi flagrado com a mão na massa, Michel Temer foi DENUNCIADO pelo Procurador-Geral da República no STF [1]  imputando-lhe o cometimento dos crimes de lavagem de ativos e corrupção ativa e passiva, entre outros.  

Mas nos falta força política, não temos capacidade de mobilizar multidões. Para tanto é preciso uma comoção ou preparação, que pode durar anos.

A esquerda nunca foi boa em elaborar estratégia e táticas para implementá-la. Com o PT melhorou muito, mas ainda vemos o quanto nos falta para um enfrentamento razoável na disputa pelo direcionamento do ORÇAMENTO da União para os objetivos da República estabelecidos no art. 3º da Constituição [2].

O fato é que falta à população instrução política mínima e a esquerda não é capaz de proporcioná-la. Por exemplo, vi em uma fila de usuários do SUS várias pessoas defenderem a abstenção, não comparecer às urnas, não votar em quem quer que seja.

Não sabem elas que o serviço público que estavam a usar tem sua existência por obra da disputa política no Congresso Nacional, pois é lá que foi criado e é onde se destina grana do ORÇAMENTO da União para torná-lo efetivo ou o fazer minguar.

É a política que governa o mundo. É por ela que se piora ou melhora a vida das pessoas e se assegura a liberdade. A antipolítica é a estratégia principal da Rede Globo, por isso ela mantém o Congresso Nacional e a classe política acuados, a ela interessa partidos e instituições políticas estatais estioladas.

Nesta empreitada de desacreditar a ação política os alvos preferidos são os principais quadros políticos do PT, os ex- Presidentes Lula e Dilma, Zé Dirceu, Palocci, Guido Mantega, José Genoíno.

A melopéia da antipolítica explora basicamente a ignorância dos cidadãos. Estes desconhecem a disputa pela direção do Estado, que é a disputa pelo direcionamento dos gastos previstos no ORÇAMENTO público.

No momento corrupção é o mote, não porque a Rede Globo seja contra o afanamento da grana pública, mas porque provoca histeria e desvia o foco do principal, a concentração de renda africana.

À Rede Globo interessa a atividade política desacreditada, a sociedade desmobilizada, pessimista quanto ao que pode ser mudado pela política.

A instrução política mínima nos conduz à disputa política pois a abstenção é o suicídio político (a entrega do ORÇAMENTO à plutocracia sem luta) provocado pela ignorância ou descrença, o niilismo injetado nas mentes pela Rede Globo.

Não temos força política acumulada, mas poderemos ter uma comoção se prenderem o ex-Presidente Lula. Em breve veremos se vão pagar para ver...

Nota

[1] Denúncia
http://static.congressoemfoco.uol.com.br/2017/06/den%C3%BAncia.pdf

[2] Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.


domingo, 14 de maio de 2017

           A ARROGÂNCIA DOS JUÍZES [1].



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A arrogância dos juízes. Este é um mal de difícil cura. Mas sabe-se que para grandes males só grandes remédios. É por esta razão que somente a extinção da magistratura monocrática pode reduzir as consequências nefastas do poder de julgar exercido por um só homem, sem controle, sem oposição e sem contrastes.

Um juiz se acha um deus e tem motivos para tanto pois a legislação lhe confere poder para em uma canetada só desgraçar a vida de qualquer pessoa, lhe retirar a liberdade ou o único imóvel de que é proprietário, o que reside, em uma decisão errada.

Um sujeito não é ruim por que é um juiz mas porque a instituição magistratura monocrática lhe confere poderes absolutos, contrariando tudo o que se sabe sobre a natureza humana, fraca, má e corrupta.

Devido à frágil natureza humana o poder gera em quem o empalma de maneira absoluta os mesmos efeitos de uma droga alucinógena. É por obstar estes efeitos que só o Tribunal do Júri permite que o ato de aplicar a lei ao caso concreto seja também um ato de justiça.

Mas então porque não se estende a competência do Tribunal do Júri para todas as demandas? A classe dominante não quer a sociedade julgando todos os crimes e as demandas cíveis pois o controle que ela tem sobre a magistratura monocrática desde a seleção dos juízes até a ascensão aos Tribunais viraria poeira.

Resta óbvio que o Júri também pode errar, cometer injustiças, mas a probabilidade é menor, primeiro porque a arrogância provocada pelo exercício do poder fica reduzida a zero (no Júri o cidadão leigo só é juiz enquanto estar julgando), depois, por ter seu julgamento adstrito a fixar a matéria fática e probatória o Tribunal Popular sempre acerta.

Decisões judiciais injustas têm causa, têm pai e mãe: a má apreciação da matéria fática, ou seja, a má apreciação da prova. É por bem apreciar os fatos submetidos a seu julgamento que o Tribunal Popular reduz a probabilidade de ocorrer decisões judiciais injustas. 

Justiça é também uma questão política pois somente por lei votada no Congresso Nacional é possível ampliar a competência do Tribunal do Júri para todas as demandas. O controle do Estado pela classe dominante é o objeto da luta política. No Brasil ela aceita que o Executivo e o Legislativo sejam disputados mas o Judiciário e o Ministério Público são suas forças de reserva.

Não é sem causa que o Judiciário e o Ministério Público sejam coadjuvantes no golpe de 2016.

Nota

[1] Por que nós juízes somos arrogantes?
DOCS.GOOGLE.COM


terça-feira, 2 de maio de 2017

             A VERDADE COMO ARMA



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Comecei a ler a nova DENÚNCIA oferecida pelo Ministério Público contra José Dirceu, João Vaccari e outros. Em breve colocarei aqui minha análise com o link para o texto da denúncia para quem quiser ler e conferir.

A perseguição a Zé Dirceu me faz lembrar umas coisas guardadas na memória e já me faz pensar que existe algo errado na estratégia do PT.

Zé Dirceu, Palocci, João Vaccari, Henrique Pizzolato, João Paulo Cunha e o ex Presidente Lula são perseguidos políticos, todo esforço dos perseguidores é para lhes retirar esta condição e até agora colaram o mal disfarçado rótulo.

É preciso rasgar o véu, os perseguidos precisam tomar a iniciativa e dizerem sem medo a Sérgio Moro que não o reconhecem como juiz justo e adstrito ao cumprimento da legislação mas que é um togado parcial e a serviço de um projeto político longa manus do imperialismo que objetiva impedir a formação de um mercado interno forte e atirar o país na instabilidade política com a destruição do PT e a devastação da classe política.

Alguém precisa tomar a iniciativa, desvelar nos autos o que todo mundo já sabe e parar de alimentar esta farsa, o jogo fraudulento onde um processo político, pois sem crimes, se passa por devido processo legal.

Existe alguma coisa errada na estratégia do partido, a realidade está mostrando a defasagem no enfrentamento dos inimigos. Se é para perder, morrer na cadeia, que se morra lutando com as armas disponíveis, no caso esgrimindo-se a palavra verdadeira pois não adiantará pedir clemência.

sábado, 22 de abril de 2017

                O ALFERES HERÓI



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Acho uma sacanagem os textos detratores da imagem pública de Tiradentes, mártir da causa republicana e de nossa independência de Portugal.

Li partes dos autos em que foram processados os inconfidentes. Li a defesa feita pelo advogado de Tiradentes, o cara teve apenas duas horas para apresentá-la, o interrogatório e a sentença.

A defesa disse que ele era uma pessoa insignificante, alguém do populacho, meio perturbado e sem consciência completa da encrenca em que tinha se metido. Concordo apenas em uma coisa, se existia povo na Inconfidência estava personificado no alferes Joaquim José da Silva Xavier.

O alferes era o braço armado da revolução, por formação militar era um homem de armas e de ação. Portanto, não era insignificante no conjunto da obra.

Diante do princípio da ampla defesa tal como o conhecemos hoje o alferes não teve defesa, o prazo de duas horas para produção de qualquer defesa é um embuste. Mas quando se trata de crimes políticos raramente se foge a este figurino, o réu já está condenado antes do julgamento pois é julgado por seu inimigo.

Além de conhecer a defesa e a sentença condenatória minha curiosidade era para saber como ele tinha se comportado diante de seus algozes, se realmente merece a reputação de herói.

Ele foi interrogado umas sete ou oito vezes, não lembro com exatidão pois faz bastante tempo que li a mencionada parte dos autos. Negou sempre qualquer participação até que viu suicídios, delações, aquelas pequenas e grandes baixezas que as pessoas cometem sempre para se safarem e salvarem o pescoço.

Daí em diante chamou para si toda a responsabilidade pelo levante urdido, tentou livrar a cara dos demais, não pediu clemência, não chorou, não se arrependeu, mesmo sabendo  que seu destino seria a morte na forca.

Não duvido que as imagens que o imortalizaram produzidas pelo pincel de Pedro Américo caminhando conduzido pelas ruas, barbudo, sereno, indo de cabeça erguida para o cadafalso correspondam à verdade.

Não tenho dúvidas, o cara tinha cojones, o cabra era macho e merece figurar na galeria dos heróis do povo brasileiro.
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sexta-feira, 21 de abril de 2017

         A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE


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Existe quem acredite que o naufrágio da classe política em face da investida da força-tarefa da Operação Lava a Jato abrirá caminho para a ascensão dos pequenos partidos de esquerda.

Não concordo, para mim é tão certo quanto a morte que dias funestos virão para sindicalistas, militantes de movimentos sociais e qualquer pessoa que de alguma maneira desafie a exploração mais brutal.

É por demais óbvio que esta operação não será o limpa-trilhos para a esquerda antipetista.

O julgamento moralista dos fatos políticos turva a percepção da realidade e obsta conhecer a real intenção dos agentes políticos adversários.

Por exemplo, o sujeito que acredita que existe combate real ao afanamento do dinheiro público pela Operação Lava a Jato, o chamando combate à corrupção, está sendo ludibriado pela propaganda. Os fatos desmentem a trapaça. Na verdade a montanha de dinheiro público que é surrupiada pelos empresários (agentes privados) com a sonegação é sete vezes maior do que a que é afanada pelos agentes públicos, corrupção.

É nesta malha para pegar incautos que o sujeito depois de aprisionado atira no próprio pé, se deixa colonizar pela pauta da direita e acredita que a Operação Lava a Jato vai fazer a fila andar para a esquerda ao pôr a pique a quase totalidade da classe política.

Não existem partidos, os esteios da democracia, sem políticos. Quem pleiteia ser político tem que começar cedo. A formação de um político consome no mínimo vinte anos e a prática não basta, é preciso ler muito, estudar os problemas com os quais os políticos se defrontam e precisam apresentar solução.  

Ou passa por esta formação ou o cidadão será um eterno amador sem noção da responsabilidade e sem conhecimento de como se move a realidade política, onde a pauta da direita por ser de exploração dos trabalhadores   está sempre oculta.

Com a morte política que advirá a muitos investigados na Operação Lava a Jato por caixa 2, corrupção passiva ou lawfare será inevitável a ascensão de todo tipo de amador, puxa-sacos, oportunistas e ladrões. A escória nadará de braçada provocando a mais louca instabilidade política.

Só quem pescará nestas águas turvas será o aparato repressivo, o Judiciário e o Ministério Público, coadjuvantes do golpe que depôs a Presidenta Dilma.

O gênio florentino mostrou como funciona o mecanismo da luta política e Weber evidenciou que a ética do político é a da responsabilidade e não a ética do santo, tudo para melhor pensarmos a ação política.

A percepção embotada dos fatos políticos por julgamentos morais impede que se perceba a intenção dos adversários e do que se seguirá com o naufrágio da classe política. Isto torna as consequências inevitáveis. Não tem jeito, hoje são eles e amanhã seremos nós a entrarmos no camburão de Sérgio Moro.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

      A DEVASTAÇÃO NA CLASSE POLÍTICA


             
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A classe política foi duramente atingida pela lista do Ministro Edson Fachim, do STF, com 96 políticos a serem investigados em Inquéritos Policiais. O Congresso Nacional foi atingido duramente.

Este tipo de instrumento sempre foi estigmatizante, mesmo que o sujeito nunca tenha feito nada ilícito e no final fique provado que tudo não passou de uma trama para prejudicá-lo para um político sempre será um prejuízo seu nome constar em uma lista desta natureza.

Constar nesta razia nomes do PT é regra para a força-tarefa da Operação Lava a Jato e a mídia a ela associada, mas destruir o PT e os ex Presidentes Lula e Dilma não basta, detonar a classe política é a garantia de que outros não vão cair na tentação de copiar as ações dos governos petistas.

Só assim os verdadeiros coordenadores destas ações e que residem no exterior terão uma garantia de que por tão cedo não aparecerão outros para pôr em prática programas tão ousados de distribuição de renda e construção da infra-estrutura, demandas básicas para rompermos o ciclo de uma economia semi-escravocrata.

A dureza do confronto não deve nos surpreender. Não devemos esquecer que a luta política sempre foi assim desde a Grécia e Roma antigas. Quando a disputa é civilizada o sujeito é apenas caluniado e difamado. No acirramento do embate as consequências são prisões, torturas e assassinatos.

A lista de políticos que serão investigados atingiu em cheio o Congresso Nacional. A classe política brasileira estar sendo devastada para que o objetivo seja atingido. Para tanto não basta destruir o PT e suas lideranças, como garantia é preciso a terra arrasada.

Não esqueçamos de que sem a base aliada o PT não teria governado ou ganhado a eleição em 2002 e as seguintes. Uma parte da classe politica estava envolvida no projeto petista.

Ruim ou boa, esta é a classe política que temos e que foi parida pela sociedade brasileira para conduzir os destinos políticos do Estado. Foi com parte dela que retiramos milhões de brasileiros,  abandonados socialmente, da miséria e semi-escravidão.

Caso a classe política seja posta a pique como pretende a força-tarefa da Operação Lava a Jato não surgirá uma política “nova e limpa”, virá coisa pior pois o lodo vai subir. Aventureiros e amadores de todos os tipos - Bolsonaro, Dória - vão ocupar o lugar dos degolados.

A classe dominante nunca conviveu bem com a democracia pois a disputa política, ainda que desigual em recursos, quando democrática sempre podou seus desejos de lucros infinitos e a exploração mais brutal.

Todos sabemos que a disputa hoje ocorre entre dois líderes e dois projetos, o ex Presidente Lula defendendo o combate à desigualdade e Sérgio Moro cavalgando a onda moralista de fachada para obstar o combate à economia semi-escravocrata.

A Operação Lava a Jato pela destruição das empresas de engenharia pesada, do projeto nuclear brasileiro, pela entrega do pré-sal às empresas estrangeiras resta configurada como a longa manus dos EUA em nosso território.

Por favor, não me venha falar em corrupção pois este espantalho só sai do armário contra governos de viés nacionalista na economia e fortalecimento do mercado interno, por consequência.

Pelo que sei da história de vida de alguns políticos creio que sobreviverão. Lula, Dilma, Humberto Costa, Gleise Hofman, Lindberg Farias e o Galego (Jacques Wagner) resistirão a esta degolação.

Resta saber é se a democracia sobreviverá por muito tempo a uma investida - mesmo oblíqua e mascarada - desta magnitude.

Se ocorrer uma saída armada deste embate aqueles que se puseram a serviço dos EUA precisarão fugir para Miami.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

           CABEÇAS DE TOUCINHO

            
             
      
     
Manipular pessoas, induzi-las a uma conduta criminosa ou a um julgamento injusto e equivocado é corriqueiro na vida em sociedade. A Rede Globo é profissional nesta arte, mas amadores também fazem as suas estripulias.

Independente do nível de instrução qualquer pessoa pode ser manipulada e conduzida, basta que o insumo de sua atividade pensante seja direcionado para tanto e o cidadão abdique de sua capacidade de averiguar a veracidade dos fatos.

Enfim, existe uma fatia de cumplicidade na manipulação pois muitas pessoas acreditam no que querem acreditar, mesmo a crença colidindo com fatos, provas e dúvidas. As bases afetivas do conhecimento explicam isto e a falta de caráter também.

Vejam no link abaixo [1] como a turba é vil, fraca e canalha. E como uma mulher irresponsável quase provoca a morte de duas pessoas ao divulgar uma mentira. 

Foi divulgado pela mulher através da web que crianças estariam sendo sequestradas em Araruama, RJ; conforme o site EXTRA a mulher fez imagens de suposto sequestrador e baseado nelas a multidão quase lincha um casal. 

A 118º DP, Araruama, não tem nenhum registro de desaparecimento de menores.

O fato é que boatos, rumores, enfim, teoria conspiratória, imagens divulgadas imputando um crime que não aconteceu induziu a população, provocou comoção, e quase resultou na morte de duas pessoas. 

Nota

[1] Homem e mulher vítimas de boatos são espancados na Região dos Lagos



domingo, 26 de março de 2017

         O PÂNICO DOS GOLPISTAS


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Guardar segredo é uma das coisas mais difíceis do mundo pois muitas vezes as informações brotam dos dados, da conjuntura, da realidade, do ambiente, como queiram chamar.

Vamos aos fatos: conforme o resultado das últimas pesquisas de opinião é indene de dúvidas que o ex Presidente Lula disputando ou não a próxima eleição para Presidente influenciará decisivamente o resultado.

E aí, os golpistas estarão dispostos a aceitar o resultado? Sobre isto a história sempre tem alguma coisa para nos ensinar. Esta é a situação, que é muito parecida com a que enfrentaram os golpistas de 1964, com a que os Bolcheviques viveram com a família Romanov e os revolucionários franceses de 1789 experimentaram com o rei Luis XVI e a rainha Maria Antonieta. Este tipo de situação política tem um desenlace e todos nós conhecemos como terminou.

É bem verdade que nenhum golpista irá para o banco dos réus, caso sejam vencidos na próxima eleição pelo ex Presidente Lula ou este influencie no resultado derrotando-os. Mas a luta politica pelo poder tem lógica própria, que é amoral e poucos resistem. Isto me faz lembrar Max Weber ao dizer que quem se mete com política mexe com forças demoníacas.

No ano de 1976 políticos como Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek, Brizola e Jango estavam recuperando os direitos políticos que haviam perdido por dez anos por determinação da ditadura.

Os golpista de 1964 entraram em pânico. A volta dos quatro à arena política era uma ameaça pois unidos em frente única cobririam todo o espectro do eleitorado e colocaria a ditadura no banco dos réus. Três deles tiveram mortes estranhas, muito próximas, duas delas investigadas pela Comissão Nacional da Verdade.