terça-feira, 27 de maio de 2014

        OS LIMITES ENTRE O POSSÍVEL E O IMPOSSÍVEL


           


Vale a pena fazer a leitura da matéria de link abaixo [1] da CARTA CAPITAL. Nela constata-se que o prefeito de Macapá, Clécio Luis, do PSOL - Partido Socialismo e Liberdade -, está descobrindo a realidade. Está descobrindo que existe LEI ORÇAMENTÁRIA, receitas e despesas, e que não se inventa dinheiro. Só os falsários fazem concorrência à Casa da Moeda.

Qualquer que seja a maneira como se chegue ao poder, pacificamente ou pela violência, qualquer que seja o partido terá sempre que administrar recursos escassos, aliás, não existe nenhum recurso inesgotável, em escala infinita. 

No caso brasileiro mais receitas só virão com a tributação incididindo sobre o patrimônio, os ricos terão que pagar realmente impostos; não precisar de acordos e alianças com setores fisiológicos só ganhando mais votos e mais eleições e com isso mais poder. 

Críticos figadais do PT os psolistas estão descobrindo que fatos são entes teimosos, se empurrados porta afora entram pela janela. Descobriu Clécio Luis que existe LRF - Lei de Responsabilidade Fiscal -, e que se não tiver a maioria na Câmara de Vereadores suas contas podem não ser aprovadas e se tornar um "ficha suja", como qualquer odiado petista. 

Na Câmara de Vereadores de Macapá, que tem 23 vereadores, Clécio já  precisou do apoio de partidos por ele execrados para aprovar um aumento dos servidores abaixo do esperado. Teve que contar com o Pros, PSB, PT e até do PR, vejam só o que é a vida.

Mais cedo ou mais tarde a realidade termina se impondo. Clécio ainda vai descobrir que existe Poder Judiciário, um poder da República que nada tem de republicano, pois por lá não existem eleições, nem oposição, mandato temporário, nada. Um poder sob total controle da classe dominante, do ingresso à ascensão na carreira de juiz.

Mas até lá muito tempo vai passar. Quando os psolistas descobrirem o Poder Judiciário vão descobrir também como é passar uma temporada no presídio da Papuda como hóspedes forçados no hotel que a classe dominante reservou para seus reais adversários e inimigos.

Um cara que nasceu na Itália na época do Renascimento escreveu que os fatos são a principal fonte de instrução para quem quer aprender política prática, e sempre existe muita coisa para se aprender quando a realidade é a natureza dos homens. 

Desta maneira vale a pena ler a matéria de link abaixo.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

           O LINCHAMENTO INCENTIVADO




O linchamento de Fabiane Maria de Jesus, 33, ocorrido no Guarujá, litoral paulista, ocorrido no último sábado, dia 03 de maio, é chocante, brutal, cruel, principalmente por ser um uma prova da irracionalidade incentivada e provocada.

A vítima foi objeto de infamantes boatos em página do Facebook imputando-lhe a prática de magia negra e de ter usado crianças raptadas em rituais. Os assassinos e o indivíduo que fazia a página não procuraram saber a verdade, se a ocorrência imputada era um fato ou maledicência.

Apesar da brutalidade do desfecho não devemos olvidar as possíveis causas deste crime. É fácil manejar uma campanha de ódio, não é preciso dispor de uma rede de televisão ou de rádio, basta um ou alguns hábeis na arte de intrigar soprarem no ouvido certo, que pode ser um ou vários, que sempre deságua em atos desta natureza, agressão ou linchamento, execução sumária.

Resta óbvio que satanizar alguém usando uma rede de televisão no Brasil é uma barbada. Sem regulação de qualquer espécie vicejam os programas que atentam contra os Direitos Fundamentais do Cidadão, os chamados DIREITOS HUMANOS - não basta para gente como Rachel Sherezade, Luis Datena e Marcelo Rezende substituir o Judiciário em julgamento sumário, tem que haver a execração.

O ex-ministro Zé Dirceu antes de ser julgado pelo STF quase teve sua cabeça atingida por uma bengala de mais de um quilograma de ferro manejada por um escritor de estórias para crianças. Se a bengalada tivesse atingido o alvo poderia tê-lo matado. Ninguém duvida que foi resultado da intoxição emocional promovida contra si pelas grandes redes de televisão, Globo, Bandeirantes - que sabiam o que estavam fazendo e o que poderia ocorrer.

A compreensão da propaganda e da manipulação da opinião pública já foi estudada por dezenas de autores. Contudo, o filme “A ONDA” demonstra com uma estória a tese de como é possível manipular pessoas, bastando que se saiba operacionalizar técnicas que incidam sobre a fragilidade da subjetividade dos homens.


O filme demonstra que o lado frágil da subjetividade humana é a faceta que aflora quando o sujeito sacrifica a capacidade de raciocinar e passa a aceitar proposições sem exigir provas ou a mínima plausibilidade como os dogmas ou falsa informação.

Demonstra também a tese do filme que as organizações secretas místicas ou supostamente laicas são já em si instrumentos de manipulação para a veiculação de doutrinas autoritárias pois a natureza conspiratória obsta a análise e facilita a fixação dos dogmas e o sacrifício da racionalidade.

Evidencia A ONDA também que os ritos e os símbolos podem ser também instrumentos de veiculação dos dogmas autoritários verificada a facilidade com que por estes meios eles são impostos e como facilmente por eles manipula-se condutas e atitudes.

Patenteia a tese demonstrada no filme que explorar com os fins de manipular as condutas os sentimentos de ódio, de inferioridade, frustrações ou sentimentos de suposta superioridade é fundamental para se operar na fragilidade da subjetividade, que ocorre quando o indivíduo sacrifica a capacidade de pensar sobre bases racionais e demonstráveis e abdica de apoiar a convicção em provas.

É por esta lacuna da subjetividade, o lado irracional, que se pode contrabandear para a pauta de crenças e valores do indivíduo como se verdade fosse proposições que não se amparam sequer em evidências mínimas.

Apelar para os sentimentos de crueldade agitando preconceitos, dogmas, explorar a ignorância e os sentimentos atávicos como o instinto de sobrevivência, o medo e o sentimento de grupo ou rebanho é uma fórmula infalível para a manipulação da opinião pública e das multidões.

Da apelação para o sacrifício da racionalidade se valem todas as doutrinas autoritárias, inclusive doutrinas políticas como o fascismo, ou simplesmente místicas comerciais como a sopa de letras de Paulo Coelho ou Edir Macedo.


A manipulação da opinião pública e a manipulação da informação

Pensar é um trabalho pois há dispêndio de energia, mas raciocinar e não sacrificar a racionalidade é o passo inicial para sermos livres e não manipulados.

Porque pensar é um trabalho e cansa, milhões de pessoas são manipuladas por preguiça, por indolência cometem "pequenas" injustiças repetindo boatos e informações inexatas.

Desta maneira, toda ação com fins de manipulação precisa alcançar a  desestabilização da capacidade de raciocinar em bases racionais pois só assim o insumo da atividade pensante, a informação, poderá ser aceita mesmo não sendo informação mas produto estragado, engodo.      

Foi nestas circunstâncias que o linchamento de Fabiane ocorreu cometido por uma turba assassina. Contudo, as circunstâncias foram maturadas durante largo tempo e bastou a ocasião para acontecer – dadas as circunstâncias poderia ter ocorrido com qualquer outra pessoa.

As circunstâncias morais e psicológicas foram maturadas principalmente pela ação das grandes cadeias de televisão ao veicular  programas da qualidade dos programas de Luis Datena, Marcelo Resende, incitação à violência em “comentários’” como os de Rachel Sherezade e outros iguais existentes em redes locais pelo Brasil afora.

Existem assuntos que excitam a opinião pública mais que outros e conduzem-na à histeria quando repetidos de diversas maneiras, principalmente pelos grandes grupos que controlam os meios de comunicação, entre estes se destacam anticomunismo, corrupção, aborto, irreligiosidade de grandes líderes, práticas religiosas de grupos minoritários (magia negra, satanismo), sexualidade alheia.

Também o medo e a sensação de insegurança real ou hipostasiada de ameaça de guerra, perda do poder aquisitivo por corrosão inflacionária do valor da moeda, a ameaça de fome ou a simples hipótese tornada crível de vir a faltar gêneros básicos, índice crescente de crimes contra a pessoa, podem ser explorados por propagandistas hábeis em mexer os cordéis que tocam fundo o psiquismo coletivo.

Estes assuntos quando escolhidos como mote para serem exagerados, repetidos de diversas maneiras e adaptados a diversos públicos alvos provocam a excitação, impermeabilidade a argumentos, desestabilização emocional, hiperestesia e perda do autocontrole. Tal a desordem mental que provocam quando agitados que os cidadãos não se entendem, defendem coisas contraditórias, impossíveis ou praticam atos ilegais abertamente.

O remate deste tipo de manipulação da opinião pública se dá em marchas, comícios, manifestações e aglomerações organizadas ou espontâneas, quando as últimas barreiras refratárias à instigação são rompidas.

Aqui no Brasil a mais conhecida campanha de ódio e desestabilização da opinião pública movida contra um governo constitucional ocorreu entre os anos de 1962 e 1964, quando uma opinião pública galvanizada e histérica foi manipulada pelos golpistas.  

Como nunca foi responsabilizada por atentar contra a democracia e por ter servido aos golpistas na instalação de uma ditadura sanguinária a mídia golpista voltou e permaneceu no local do crime, continua tendo por objetivo o envenenamento emocional da opinião pública, nem que seja para vender audiência e arrancar algum dinheiro de anunciantes à custa da desgraça alheia.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

 PARA OS AMIGOS TUDO, PARA OS INIMIGOS A LEI




                                                                                                  
     
Ontem, 1º de maio de 2014, José Genoíno voltou para o presídio da Papuda para terminar de cumprir a pena que lhe foi ilegalmente imposta pelo STF ou morrer, pois a cardiopatia grave de que padece pode a qualquer momento pôr um ponto final em sua vida de memoráveis lutas, seja nas selvas do Araguaia, em São Paulo ou no Congresso Nacional, sempre em favor do povo brasileiro.  

A luta política é uma tragédia. Nenhum dos petistas condenados no "mensalão" aumentou um centavo em seu patrimônio e no entanto são expostos à execração pública pelos pistoleiros dos meios de comunicação em rito medieval como se fossem ladrões

Para os que se interessam por justiça e não pela conveniência do uso do aparato judicial para encarcerar inimigos surge uma questão: e a Ação Penal 536-MG, o mensalão do PSDB que fim teve? Por qual motivo?

Isto porque não se compreende este julgamento do que foi o “mensalão” do PT, Ação Penal 470-DF, sem conhecer e comparar com o esquema do PSDB em Minas Gerais e com o tratamento dispensado pelo STF a este caso, legítimo filhote da ave bicuda. 

Sem considerar o tratamento desigual e parcial dado pelo STF não se compreende porque os petistas estão presos, não se ultrapassa a perplexidade do tratamento desigual caracterizado na perseguição ao PT e o uso do Judiciário para encarcerar adversários e homiziar correligionários.

Em tudo os dois "mensalões" diferem, da origem da grana ao tratamento dispensado pelo Ministério Público e pelo STF. O "mensalão" do PT, Ação Penal 470, veio à tona em 2005, a denúncia foi oferecida em 2006 e julgado em 2012

Na Ação Penal 536-MG, o mensalão do PSDB, desde a DENÚNCIA [1] que a origem da grana nos cofres públicos das estatais de Minas Gerais está assentada. Na Ação Penal 470-DF, "mensalão" do PT, a origem privada e lícita do caixa 2 é admitida na DENÚNCIA, fl. 26, e as provas que inocentam Pizzolato de ter desviado 73,8 milhões do Banco do Brasil reduzem a um castelo de cartas as condenações. [2]  

No que concerne ao processo no STF não houve desmembramento do mesmo na Ação Penal 470. Todos os réus foram julgados no STF, mesmo os que não tinham foro privilegiado em razão de função, sendo desta maneira subtraído o direito ao duplo grau de jurisdição que constitucionalmente têm assegurado.

Quando o assunto é o mensalão do PSDB,  o tratamento dispensado pelo STF e pelo Ministério Público tem sido outro. Ocorrido em 1998 (fl. 4 da DENÚNCIA de link abaixo) só teve a DENÚNCIA oferecida pelo Procurador-Geral, Antonio Fernando Barros, quase 10 anos depois (fl. 88), em novembro de 2007, e somente recebida no STF em 4 de novembro de 2009

Coroando o tratamento diferenciado o processo foi cindido, desmembrado, e somente permaneceu para ser julgado pelo STF apenas Eduardo Azeredo, atual deputado federal do PSDB

Como sabemos, Eduardo Azeredo renunciou ao mandato e nenhum réu da Ação Penal 536-MG, o mensalão do PSDB, será julgado no STF, todos os 15 réus terão o direito ao duplo grau de jurisdição assegurado. 

Tendo os fatos da Ação Penal 536-MG, o mensalão do PSDB, ocorridos anteriormente aos narrados na Ação Penal 470 o correto e conforme o direito seria que os réus daquela ação fossem julgados primeiro. Contudo, o que se vê é leniência, tudo sendo feito para que a prescrição obste a punição, o que por certo ocorrerá em face da pena em concreto, quando houver julgamento.

Sobre estas diferenças entre os dois "mensalões" recomendo a leitura do excelente texto de Paulo Moreira Leite de link abaixo  [3].  

Mas afinal de contas o que é que motiva a mídia golpista, o STF e a combalida oposição no Congresso Nacional, poderia perguntar alguém? O que está ocorrendo é um fenômeno tão velho quanto a política e o poder: a luta de classes, uns querendo distribuir a grana e outros valendo-se de todos os meios para mantê-la concentrada nas mãos de uma minoria.

Só a luta de classes explica a lógica obsessiva do Ministério Público, do STF e da mídia golpista. Somente a clivagem das classes que atravessa a sociedade explica porque o PT tinha que ser atingido, mesmo que fosse necessário encarcerar pessoas inocentes e emporcalhar o STF como instituição, isto porque somente as classes sociais explicam a existência dos partidos e suas ideologias e do aparelhamento do Estado para perseguir inimigos. 


Notas