quarta-feira, 13 de setembro de 2017

              ALLENDE EM SEU LABIRINTO



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Assisti e gostei do filme de Miguel Littin, ALLENDE EM SEU LABIRINTO[1]. É só buscar na Netflix, basta colocar Allende no local de busca.

O filme narra o último dia da vida de Salvador Allende no dia 11 de setembro de 1973, de quando ele acordou até quando morreu. Miguel Littin não tomou posição sobre as teses vigentes sobre sua morte, se Allende foi assassinado ou se suicidou.

O final é épico, a resistência no Palácio de La Moneda, fuzis contra o bombardeio da aviação e logo depois contra as tropas de assalto dos golpistas. Allende combateu até tombar, sem rendição. A traição de Augusto Pinochet, homicida e ladrão com muitos kilogramas de ouro em banco suíço, está estampada.

Lembro-me do dia 11 de setembro de 1973 por uma cena que vi no JN, a morte de um cinegrafista americano filmando um caminhão de transporte de tropas do Exército chileno, um soldado atirando no cinegrafista até quando ele morreu e a câmara perdeu o foco.

Eu não sabia o que estava acontecendo mas me parecia que algo muito triste estava ocorrendo e as cenas do assassinato ressaltavam a coragem do cinegrafista.

11 de setembro de 1973 foi um dia de baixezas e traições mas também um dia de coragem e grandeza na vida do povo chileno pois seu líder não decepcionou, não renunciou nem se rendeu quando as armas falaram. É evidente que os espertos não gostam nem de ouvir falar neste assunto, para eles tudo vale para salvar o pescoço, até rastejar como um verme.


Nota

[1] A última manhã de Salvador Allende
O diretor chileno Miguel Littín finaliza um filme sobre o ex-presidente, no momento em que se completam 41 anos desde sua morte durante o golpe de Estado
https://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/11/cultura/1410392420_326240.html

sábado, 9 de setembro de 2017

                O ADVERSÁRIO É CAPAZ DE TUDO



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Olho procurando compreender em toda a dimensão humana a delação de Antonio Palocci e o depoimento dele ante Sérgio Moro imputando fatos delituosos ao ex-Presidente Lula.

O que está no centro desta discussão sobre Palocci é o quanto o ser humano pode resistir a coações sob qualquer de suas formas, intimidações, ameaças e torturas.

Li sobre torturas e conversei com pessoas que foram torturadas e  uma certeza restou inquestionável: nenhum ser humano sabe exatamente o quanto pode resistir à pior das coações - a  tortura -, não sabe a força que tem diante da dor, da coação física ou moral.

Percebi pelo que me foi dito e lido que a resistência pode variar até mesmo em face do momento psicológico de entusiasmo ou decepção em que a pessoa se encontra, a idade e as experiências anteriores com o tipo de situação.

Victor Serge em seu pequeno grande livro, O QUE TODO REVOLUCIONÁRIO DEVE SABER SOBRE A REPRESSÃO, não nos deixa que esqueçamos que a repressão é uma das funções essenciais de todo poder político.

Por isto, o uso do medo, da intimidação, da tortura e do terror é sempre uma alternativa para uso de policiais, promotores e juízes.

As lições de Victor Serge são preciosas até para quem não pretende fazer revolução tais como os advogados que atuam na área penal e por isto sempre correm o risco de serem presos ao terem suas prerrogativas violadas, sem contar as incontáveis tentativas de intimidação de quem não é do esquema dos policiais corruptos. 

Uma coisa eu tenho como certa, Palocci estar sob coação. Assim, é preciso fazer um esforço mínimo para compreender o que ele está passando e que muitos de nós poderemos vivenciar em futuro próximo.   
  
Quantas pessoas que hoje julgam Palocci sabem o que é uma cadeia? Ou já tiveram uma arma de fogo apontada contra si?

Não é uma tarefa fácil se manter altivo e digno em situações de coação. Forças coativas podem vir de diversas fontes, por exemplo, quantas pessoas estão dispostas a morrerem na miséria a não se tornar mais um golpista na praça?

Victor Serge na pág. 84 no capítulo EM CASO DE PRISÃO do livro mencionado nos diz que "o adversário é capaz de tudo" e cita Egor Sazonov: "o inimigo é infinitamente vil".

José Dirceu se manifestou sobre este momento de fraqueza de Palocci. Eis aqui [1] algumas palavras de José Dirceu veiculadas na mídia e na web e com as quais eu concordo totalmente:

"O ex-ministro José Dirceu fez um contraponto entre a sua situação e a do também ex-ministro Antonio Palocci, aponta a colunista Mônica Bergamo.
Segundo ele, é melhor morrer do que perder a dignidade e se tornar delator; Dirceu também afirmou que Palocci sempre batalhou pelos próprios interesses – e não por uma causa coletiva.
"Só luta por uma causa quem tem valor. Os que brigam por interesse têm preço. Não que não me custe dor, sofrimento, medo e às vezes pânico. Mas prefiro morrer que rastejar e perder a dignidade", afirmou Dirceu, condenado na Operação Lava Jato, disse ainda que prefere "morrer" antes de delatar."

Muito oportunas estas palavras de Zé Dirceu neste momento mas bem que poderia ter sida ditas antes, lá atrás, quando o condenaram sem provas no "mensalão", a AP 470.

Naquele momento todos nós esperávamos dele uma autodefesa menos "elegante", mais contundente e incisiva como está fazendo agora. É bem verdade que muitos amigos e os próprios advogados devem ter aconselhado Dirceu a ser prudente para não piorar a situação diante dos carrascos-juízes, comedimento que hoje se vê de nada serviu.

Bem vindas as palavras de Zé Dirceu. Acredito que todos os que forem perseguidos de agora por diante devem fazer um enfrentamento mais incisivo, mostrarem que são perseguidos e não julgados e deixarem claro que não fazem acordos com inimigos neste tipo de situação onde se quer a desonra, transformar o perseguido em um trapo.

Vamos ver quem é que terá a coragem e a honradez de inaugurar esta nova fase no enfrentamento dos carrascos fantasiados de juízes.

    
Nota

terça-feira, 8 de agosto de 2017

            ALÉM DA MORTE


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Cada um escreve sua história com o caráter que tem, as oportunidades construídas e o que a sorte lhe atirar no colo. Mas nossos atos repercutem além da morte. Falamos de Marighella, Câmara Ferreira, Mário Alves, Eduardo Collen Leite, o Bacuri, e outros como se ainda estivessem vivos. 

Como uma pedra atirada em um lago nossos atos têm seus efeitos incontrolados pela repercussão. Até Max Weber, o cara que melhor tentou fazer uma sociologia com base na ação dos indivíduos para entender os fatos sociais escreveu algo assim.

Recentemente morreu por suicídio um neto de Getúlio Vargas, Getúlio Vargas Neto, filho de Maneco Vargas, que também se suicidou. A bronca é que este tipo de ato fica como exemplo em uma família.

Não vejo o suicídio em princípio como um ato covarde pois é preciso muita coragem para meter um tiro nos miolos. Pedro Nava disse em uma entrevista que suicídio por tiro é coisa de pessoa impulsiva; os histéricos se enforcam.

O fato é que a morte não encerra tudo e a vida é uma só; não se tem muita coisa a pensar sobre a morte, daí pensar sobre ela sempre nos leva a pensar sobre a vida. Então não meter a vida no vaso sanitário vivendo como um rato tem seu valor, para mim.

Tudo isto dito acima foi provocado pela morte do líder sindical paulista Augusto Campos [1], que não passou pela vida em vão e não meteu a vida na latrina.

Viver de maneira honrada no Brasil não é fácil, o povo brasileiro se transformou em uma escória miserável com a ajuda das religiões, dos intelectuais, dos professores e sob a batuta da classe dominante, que sabe que vagabundos não fazem revoluções.

Nota

[1] Gratidão, Augusto Campos
A morte do Augustão é mais uma cruz na lista deste infernal ano de tantas perdas para os trabalhadores


domingo, 2 de julho de 2017

É A POLÍTICA QUE GOVERNA O MUNDO


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Nunca tivemos uma oportunidade tão à vista de derrubar um governo ilegítimo e avançarmos fazendo reformas no Estado e na sociedade como agora, o governo é ilegítimo e foi flagrado com a mão na massa, Michel Temer foi DENUNCIADO pelo Procurador-Geral da República no STF [1]  imputando-lhe o cometimento dos crimes de lavagem de ativos e corrupção ativa e passiva, entre outros.  

Mas nos falta força política, não temos capacidade de mobilizar multidões. Para tanto é preciso uma comoção ou preparação, que pode durar anos.

A esquerda nunca foi boa em elaborar estratégia e táticas para implementá-la. Com o PT melhorou muito, mas ainda vemos o quanto nos falta para um enfrentamento razoável na disputa pelo direcionamento do ORÇAMENTO da União para os objetivos da República estabelecidos no art. 3º da Constituição [2].

O fato é que falta à população instrução política mínima e a esquerda não é capaz de proporcioná-la. Por exemplo, vi em uma fila de usuários do SUS várias pessoas defenderem a abstenção, não comparecer às urnas, não votar em quem quer que seja.

Não sabem elas que o serviço público que estavam a usar tem sua existência por obra da disputa política no Congresso Nacional, pois é lá que foi criado e é onde se destina grana do ORÇAMENTO da União para torná-lo efetivo ou o fazer minguar.

É a política que governa o mundo. É por ela que se piora ou melhora a vida das pessoas e se assegura a liberdade. A antipolítica é a estratégia principal da Rede Globo, por isso ela mantém o Congresso Nacional e a classe política acuados, a ela interessa partidos e instituições políticas estatais estioladas.

Nesta empreitada de desacreditar a ação política os alvos preferidos são os principais quadros políticos do PT, os ex- Presidentes Lula e Dilma, Zé Dirceu, Palocci, Guido Mantega, José Genoíno.

A melopéia da antipolítica explora basicamente a ignorância dos cidadãos. Estes desconhecem a disputa pela direção do Estado, que é a disputa pelo direcionamento dos gastos previstos no ORÇAMENTO público.

No momento corrupção é o mote, não porque a Rede Globo seja contra o afanamento da grana pública, mas porque provoca histeria e desvia o foco do principal, a concentração de renda africana.

À Rede Globo interessa a atividade política desacreditada, a sociedade desmobilizada, pessimista quanto ao que pode ser mudado pela política.

A instrução política mínima nos conduz à disputa política pois a abstenção é o suicídio político (a entrega do ORÇAMENTO à plutocracia sem luta) provocado pela ignorância ou descrença, o niilismo injetado nas mentes pela Rede Globo.

Não temos força política acumulada, mas poderemos ter uma comoção se prenderem o ex-Presidente Lula. Em breve veremos se vão pagar para ver...

Nota

[1] Denúncia
http://static.congressoemfoco.uol.com.br/2017/06/den%C3%BAncia.pdf

[2] Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.


domingo, 14 de maio de 2017

           A ARROGÂNCIA DOS JUÍZES [1].



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A arrogância dos juízes. Este é um mal de difícil cura. Mas sabe-se que para grandes males só grandes remédios. É por esta razão que somente a extinção da magistratura monocrática pode reduzir as consequências nefastas do poder de julgar exercido por um só homem, sem controle, sem oposição e sem contrastes.

Um juiz se acha um deus e tem motivos para tanto pois a legislação lhe confere poder para em uma canetada só desgraçar a vida de qualquer pessoa, lhe retirar a liberdade ou o único imóvel de que é proprietário, o que reside, em uma decisão errada.

Um sujeito não é ruim por que é um juiz mas porque a instituição magistratura monocrática lhe confere poderes absolutos, contrariando tudo o que se sabe sobre a natureza humana, fraca, má e corrupta.

Devido à frágil natureza humana o poder gera em quem o empalma de maneira absoluta os mesmos efeitos de uma droga alucinógena. É por obstar estes efeitos que só o Tribunal do Júri permite que o ato de aplicar a lei ao caso concreto seja também um ato de justiça.

Mas então porque não se estende a competência do Tribunal do Júri para todas as demandas? A classe dominante não quer a sociedade julgando todos os crimes e as demandas cíveis pois o controle que ela tem sobre a magistratura monocrática desde a seleção dos juízes até a ascensão aos Tribunais viraria poeira.

Resta óbvio que o Júri também pode errar, cometer injustiças, mas a probabilidade é menor, primeiro porque a arrogância provocada pelo exercício do poder fica reduzida a zero (no Júri o cidadão leigo só é juiz enquanto estar julgando), depois, por ter seu julgamento adstrito a fixar a matéria fática e probatória o Tribunal Popular sempre acerta.

Decisões judiciais injustas têm causa, têm pai e mãe: a má apreciação da matéria fática, ou seja, a má apreciação da prova. É por bem apreciar os fatos submetidos a seu julgamento que o Tribunal Popular reduz a probabilidade de ocorrer decisões judiciais injustas. 

Justiça é também uma questão política pois somente por lei votada no Congresso Nacional é possível ampliar a competência do Tribunal do Júri para todas as demandas. O controle do Estado pela classe dominante é o objeto da luta política. No Brasil ela aceita que o Executivo e o Legislativo sejam disputados mas o Judiciário e o Ministério Público são suas forças de reserva.

Não é sem causa que o Judiciário e o Ministério Público sejam coadjuvantes no golpe de 2016.

Nota

[1] Por que nós juízes somos arrogantes?
DOCS.GOOGLE.COM


terça-feira, 2 de maio de 2017

             A VERDADE COMO ARMA



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Comecei a ler a nova DENÚNCIA oferecida pelo Ministério Público contra José Dirceu, João Vaccari e outros. Em breve colocarei aqui minha análise com o link para o texto da denúncia para quem quiser ler e conferir.

A perseguição a Zé Dirceu me faz lembrar umas coisas guardadas na memória e já me faz pensar que existe algo errado na estratégia do PT.

Zé Dirceu, Palocci, João Vaccari, Henrique Pizzolato, João Paulo Cunha e o ex Presidente Lula são perseguidos políticos, todo esforço dos perseguidores é para lhes retirar esta condição e até agora colaram o mal disfarçado rótulo.

É preciso rasgar o véu, os perseguidos precisam tomar a iniciativa e dizerem sem medo a Sérgio Moro que não o reconhecem como juiz justo e adstrito ao cumprimento da legislação mas que é um togado parcial e a serviço de um projeto político longa manus do imperialismo que objetiva impedir a formação de um mercado interno forte e atirar o país na instabilidade política com a destruição do PT e a devastação da classe política.

Alguém precisa tomar a iniciativa, desvelar nos autos o que todo mundo já sabe e parar de alimentar esta farsa, o jogo fraudulento onde um processo político, pois sem crimes, se passa por devido processo legal.

Existe alguma coisa errada na estratégia do partido, a realidade está mostrando a defasagem no enfrentamento dos inimigos. Se é para perder, morrer na cadeia, que se morra lutando com as armas disponíveis, no caso esgrimindo-se a palavra verdadeira pois não adiantará pedir clemência.

sábado, 22 de abril de 2017

                O ALFERES HERÓI



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Acho uma sacanagem os textos detratores da imagem pública de Tiradentes, mártir da causa republicana e de nossa independência de Portugal.

Li partes dos autos em que foram processados os inconfidentes. Li a defesa feita pelo advogado de Tiradentes, o cara teve apenas duas horas para apresentá-la, o interrogatório e a sentença.

A defesa disse que ele era uma pessoa insignificante, alguém do populacho, meio perturbado e sem consciência completa da encrenca em que tinha se metido. Concordo apenas em uma coisa, se existia povo na Inconfidência estava personificado no alferes Joaquim José da Silva Xavier.

O alferes era o braço armado da revolução, por formação militar era um homem de armas e de ação. Portanto, não era insignificante no conjunto da obra.

Diante do princípio da ampla defesa tal como o conhecemos hoje o alferes não teve defesa, o prazo de duas horas para produção de qualquer defesa é um embuste. Mas quando se trata de crimes políticos raramente se foge a este figurino, o réu já está condenado antes do julgamento pois é julgado por seu inimigo.

Além de conhecer a defesa e a sentença condenatória minha curiosidade era para saber como ele tinha se comportado diante de seus algozes, se realmente merece a reputação de herói.

Ele foi interrogado umas sete ou oito vezes, não lembro com exatidão pois faz bastante tempo que li a mencionada parte dos autos. Negou sempre qualquer participação até que viu suicídios, delações, aquelas pequenas e grandes baixezas que as pessoas cometem sempre para se safarem e salvarem o pescoço.

Daí em diante chamou para si toda a responsabilidade pelo levante urdido, tentou livrar a cara dos demais, não pediu clemência, não chorou, não se arrependeu, mesmo sabendo  que seu destino seria a morte na forca.

Não duvido que as imagens que o imortalizaram produzidas pelo pincel de Pedro Américo caminhando conduzido pelas ruas, barbudo, sereno, indo de cabeça erguida para o cadafalso correspondam à verdade.

Não tenho dúvidas, o cara tinha cojones, o cabra era macho e merece figurar na galeria dos heróis do povo brasileiro.
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